sábado, 11 de setembro de 2010

Empresas buscam formas de medir danos ambientais

Por Circe Bonatelli

São Paulo - O Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) vai buscar instrumentos para medir o impacto das atividades econômicas sobre a fauna e a flora na próxima Conferência das Partes sobre Biodiversidade (COP-10), que será realizada em outubro, em Nagoya (Japão). Segundo a presidente executiva do grupo, Marina Grossi, que engloba 52 empresas cujo faturamento corresponde a 40% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, o objetivo não é apenas apoiar o lançamento de metas para a preservação ambiental, mas também as maneiras de atingi-las. "A mensuração dos impactos vai nos dizer quais são os principais problemas ambientais que devem ser trabalhados. É importante sistematizar as informações para que as empresas possam assumir compromissos", explicou, no intervalo do Fórum Biodiversidade e Economia, realizado na quinta-feira em São Paulo.

De acordo com o último relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), divulgado em maio, os desmatamentos e a degradação florestal geram um custo anual entre US$ 2 trilhões e US$ 4,5 trilhões. Segundo Marina, esses prejuízos afetam tanto as empresas quanto os governos, e a sua mensuração é essencial para entender as tendências da "economia verde", baseada em produtos e serviço sustentáveis. "Em 2050, as empresas não vão continuar trabalhando do mesmo jeito," disse.
Na próxima conferência sobre biodiversidade, no Japão, serão apresentados instrumentos para mensurar os impactos das atividades econômicas sobre a biodiversidade. O plano do CEBDS é trazê-los para o Brasil e avaliar, junto com o governo, empresas e institutos de pesquisa, a possibilidade de ajustá-los para medições no País. O mesmo procedimento já ocorre, por exemplo, no campo das pesquisas sobre clima e aquecimento global, que utiliza o Protocolo GHG. Essa ferramenta serve para identificar e mensurar a quantidade de gases causadores do efeito estufa emitidos por determinado órgão. Segundo analistas do setor, essas ferramentas são importantes porque evidenciam os prejuízos econômicos e suas origens, o que é determinante para mobilizar as instituições - seja por consciência ambiental ou atenção ao negócio.

Negócios e preservação

Durante o encontro desta semana em São Paulo, também foram discutidos como as empresas devem responder à demanda por compromissos com a preservação. A presidente da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Coelho, afirmou que o banco estuda, em conjunto com o setor da construção civil, a viabilidade econômica de ampliar a exigência de práticas sustentáveis na segunda fase do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida. O objetivo, segundo ela, é incentivar o aproveitamento da energia solar nos novos empreendimentos. Maria Fernanda disse que essas exigências são uma tendência para os próximos anos e relembrou que, em 2009, a instituição já passou a exigir, em seus financiamentos, a apresentação de um certificado de origem da madeira que será empregada na obra.

Para Marcos Vaz, diretor de Sustentabilidade da indústria de cosméticos Natura, as empresas de todos os setores terão de se adaptar às novas exigências e regulações ambientais. A melhor maneira de lidar com essa mudança, na sua avaliação, é mudar o foco do preço para o "valor", isto é, levar em conta o impacto ambiental inerente à produção dos bens e serviços. "Ao invés de pensar no jeito mais barato de produzir, é preciso pensar também nas consequências", disse Vaz, que acredita numa autorregulação do mercado e no interesse dos consumidores por produtos "verdes".

Um dos maiores riscos ao se ignorar a biodiversidade, segundo avaliação de Gabriela Burian, gerente de Sustentabilidade da Monsanto no Brasil, é comprometer a disponibilidade dos insumos no futuro. "Se práticas sustentáveis não forem incorporadas, é o próprio negócio que entra em risco", afirmou ao justificar a necessidade dos investimentos em conservação

FONTE: http://www.abril.com.br/noticias/brasil/empresas-buscam-formas-medir-danos-ambientais-1241716.shtml




Brasil cumpriu 75% da meta mundial de conservação ambiental, segundo MMA

A secretária de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Maria Cecília Wey de Brito, disse hoje (26) que o Brasil cumpriu experiências de conservação criadas em todo o território nacional, que resultaram no cumprimento de 75% da meta mundial. Essa informação será levada à 10º Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP-10) das Organizações das Nações Unidas (ONU), que será realizada em outubro, em Nagoya, no Japão.

“Nossa experiência nisso é incontestável e nosso avanço para o mundo e para nós mesmos também”, afirmou Maria Cecília. Ela disse que as discussões na COP-10 devem ser feitas em torno de novos recursos para a conservação da biodiversidade. “A ideia é chegar na conferência com um cálculo, que será mostrado não só para os países que partilham a Amazônia com o Brasil, mas para o mundo todo. “ Vamos chegar em um número e mostrar para o mundo quanto isso custa. Nós sabemos que, no Brasil, esse custo é muito pouco ressarcido pelos cofres governamentais. Recebemos 25% daquilo que seria necessário para manter esse sistema funcionando”.

Maria Cecília ressaltou a importância do país ter deixado de olhar apenas para a Amazônia como um ambiente importante e ter passado a perceber melhor o que está acontecendo nos outros biomas. “Passamos a monitorar o Cerrado, a Caatinga, o Pantanal, o Pampa e a Mata Atlântica. Isso também nos dá um quadro para várias ações de políticas públicas para detectar o que causa os danos nesses biomas e como atuar preventivamente”, declarou após participar do Fórum Biodiversidade e a Nova Economia, na sede da editora Abril, na capital paulista.

Segundo Maria Cecília, há a falsa ideia da existência de muitas áreas protegidas no Brasil e que por isso a agricultura brasileira não teria espaço para crescer. Segundo ela, dados mostraram que isso não é verdade. “Nós temos alguma porcentagem no estado brasileiro conservada, algumas em áreas indígenas, mas isso jamais é maior do que a área que temos para agricultura e que permite expansão nas áreas já degradadas e abandonadas simplesmente”. Para Maria Cecília, esses dois pontos foram suficientes para que alguns deputados acreditassem que o Código Florestal não é bom para o país.

A secretária informou que o ministério deve apresentar um novo texto para os deputados, mas ainda não há previsão de quando isso acontecerá. Segundo ela, foi montado um grupo, que colocará no papel seus pontos de vista mais claros para o governo demonstrar sua posição. “Creio que faremos isso rapidamente porque temos um acúmulo de informações e experiências. Vamos fazer uma proposta inteira de um novo marco legal com essa finalidade, mas manteremos algumas das condições originais do Código Florestal, porque ele tem um embasamento científico, que não deve ser perdido”.

Em relação ao combate às queimadas registradas no país nos últimos dias, Maria Cecília disse que o Ministério do Meio Ambiente tem uma ação sistemática para atuar em áreas atingidas, com brigadas de incêndio nas Unidades de Conservação treinadas para agir nessas situações. “O que acaba acontecendo é que, se há inúmeros focos no mesmo momento, não há contingente. O ministério, com a ajuda da Polícia Federal, Bombeiros, Exército tem tentado dar conta dos focos deste ano, mas infelizmente ainda estamos vendo que esses números [de queimadas] são crescentes”, declarou.



 


"Não tenho interesse em agradar ninguém"
Em nova série do Fantástico, Drauzio Varella trata da polêmica dos fitoterápicos



No País com a maior biodiversidade de plantas do mundo e uma tradição "curandeira" de séculos, quem nunca ouviu dizer que chá de boldo combate dor de estômago, chá de berinjela abaixa a pressão ou que babosa cura ferimentos? Desmitificar informações como essas não é tarefa fácil - e pode dar muita dor de cabeça, já que mexe com toda uma indústria, a de produtos naturais. Mas Dráuzio Varella, que estreia hoje sua nova série no Fantástico, da Globo (É Bom pra Quê?, sobre fitoterápicos, o tratamento com plantas e derivados), está ciente da polêmica.


"Na minha idade, com a experiência que adquiri com medicina e comunicação, não estou interessado em agradar ou desagradar pessoas", disse-no ele, em conversa por telefone. "Tenho de usar meu tempo e espaço na TV para tentar melhorar o atendimento de saúde no País." O doutor diz que, mesmo antes de a série ir ao ar, recebe críticas dos que "acreditam nos fitoterápicos como ideologia" e o acusam de "beneficiar as multinacionais farmacêuticas".


Com quatro episódios, de 15 minutos cada, a série vai mostrar as normas da Anvisa para esses medicamentos, as pesquisas feitas no País, além de entrevistas com médicos, professores universitários e pesquisadores da área. Ao todo, a equipe de produção do programa percorreu, desde fevereiro, nove Estados (São Paulo, Rio, Maranhão, Pará, Amazonas, Ceará, Goiás, Mato Grosso e Rio Grande do Sul), para mostrar pacientes que se curaram e tratamentos que não deram certo.


Sem comprovação. Dráuzio, entretanto, diz não ser contra os fitoterápicos e conta que pelo menos 1/3 dos remédios da medicina moderna são derivados de plantas. Em áreas como a oncologia, especialidade do doutor, essa proporção sobe para metade dos medicamentos.


A crítica ao uso indiscriminado de ervas e plantas está na carência de estudos clínicos, que testam em centenas de pacientes o que foi comprovado em laboratório. "Existe muito teste laboratorial, mas quase nada de testes clínicos. Só que o que é bom para o rato pode não ser bom para humanos."


Há 15 anos à frente de um projeto de pesquisas no Rio Negro, na Bacia Amazônica, o médico conta que sua equipe recolhe plantas da região para estudo. Até hoje são mais de 2.200 extratos - menos de 25, porém, com atividade antitumoral.


"Agora veja se tem cabimento pegar qualquer um desses 25 extratos e sair receitando para as pessoas, sem separar os princípios ativos? Vai que no meio da substância tem algum composto tóxico?", questiona.


De acordo com o doutor, não há um paciente seu que não tenha recebido indicação de um chazinho, para minimizar a ação da quimioterapia ou até curar câncer. "Quando me perguntam o que acho, minha resposta honesta é: não sei. Quem falou que aquele chá não atrapalha o tratamento?"


Para Drauzio, a fitoterapia pode ser o futuro da indústria farmacêutica brasileira. "Mas enquanto não tivermos estudos que comprovem a eficácia clínica, em centenas e milhares de pacientes, aceitos por revistas de primeira linha, nunca vamos avançar com a fitoterapia, podemos até retroceder."


Dom da palavra. De fala mansa e jeito calmo, Drauzio tem o poder de influenciar pessoas. E isso não apenas por sua experiência de quase 40 anos como oncologista ou escritor de livros que inspiraram filme, série e peças. Seu tom didático e franco é capaz de traduzir os mais herméticos termos, o que lhe rendeu a fama de popularizar a medicina no País.


Prova disso é que de 12 de março a 12 de abril do ano passado, logo após o Fantásticoestrear a série Transplante - O Dom da Vida, também sob sua batuta, a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos indicou um aumento de 14,5% no número de potenciais doadores notificados no País. Um mês antes de a série ir ao ar, a média era de 426,4 potenciais doadores; depois, subiu para 488,6.

Tanta popularidade, entretanto, não enche os olhos do doutor que, aos 67 anos, diz não ter pretensões na TV. "Só penso em parar", revela. "Mas quem faz coisa educativa na TV cai numa armadilha: dá muito trabalho, mas não tenho coragem de parar."

Agora, Drauzio Varella só quer separar crendice de ciência. "Se conseguir mostrar que o ‘se não fizer bem, mal não faz’ é mentira, já valeu a pena fazer a série."



Pesquisas de: Marcus, Diego Italo e Yann

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